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História do Jazz

O Jazz é um ritmo que nasceu diretamente da cultura negra



O Jazz é um ritmo que nasceu diretamente da cultura negra, tem raízes populares, surgindo no final do século passado. No início, nas viagens dos navios negreiros da África para os Estados Unidos, os negros que não morriam de doenças eram obrigados a dançar para manterem a saúde.
As danças tradicionais dos senhores brancos eram as polcas, as valsas e as quadrilhas, e os negros os imitavam para ridiculariza-los, mas dançavam de acordo com a visão que tinham da cultura européia, e misturando um pouco com as danças que conheciam. Dessa forma, surgiu a dança que era uma mistura da imitação dos ritmos europeus com os costumes naturais dos negros, com trabalho de isolação muscular, marcação de quadril, ritmo pulsante e balanço.

Por volta de 1740, quando os tambores foram proibidos no Sul dos EUA para evitar insurreições (revoltas), os negros passaram a executar sua música e sua dança de outras formas, e para isso se utilizaram do som de suas palmas, do banjo e do sapateado.

No início deste século, as danças afro-americanas começaram a entrar para os salões, e a sofrer novas influências: do can-can e do charleston, principalmente. Logo, essa dança que se pode até chamar de "mista", tomou conta dos palcos e da Broadway, se transformando na conhecida comédia musical.
A comédia musical, por sua vez, não é nada mais que o segundo nome dado à dança mais conhecida como jazz.

Por volta de 1900, as danças afro-americanas começaram a se propagar pelo país e a entrar nos salões de baile, sofrendo assim novas influências. Logo esta dança passou a ser dançada por negros e brancos, e a tomar conta dos palcos, se transformando no que era chamado antigamente de Comédia Musical, que nada mais era do que os primeiros passos da dança que hoje conhecemos como Jazz.

Esta dança é hoje considerada uma forma de expressão pessoal baseada no improviso, embora muitos dos trabalhos nesta modalidade sejam coreograficamente montados, principalmente no Jazz-Teatro.

O grande triunfo desta dança nos EUA é visto principalmente nos espetáculos da Broadway.
Já houve grande preconceito quanto à esta modalidade, sendo até mesmo considerada uma arte menor em qualidade coreográfica, mas atualmente o crescimento do interesse e da qualidade de bailarinos e coreógrafos faz com que muitos confundam suas peças com trabalhos de dança moderna.

O Jazz dance possui o privilégio da renovação constante. Não importa onde você esteja: em sua casa assistindo vídeos, em um show da Broadway ou em uma sala de aula, é só ouvir a música que seu corpo inteiro quer dançar, o mais interessante disso tudo é que cada um de nós o faz de uma maneira, de um jeito muito próprio.

Os bailarinos e coreógrafos de Jazz são cobiçados pelos produtores de shows, espetáculos, comerciais de TV e vídeo clipes, devido ao alto nível técnico que o Jazz vem alcançando por utilizar técnicas como o balett clássico, a dança contemporânea, a ginástica olímpica, o sapateado aliado ao raciocínio rápido, garra, força, precisão de movimentos e expressão corporal e facial.




Os grandes nomes do Jazz Dance continuam nos EUA, e suas histórias nos contam mais um pouco sobre a história desta forma de arte:

Jack Cole (1911-1974)

Jack Cole é mais conhecido como O Pai do Jazz Dance. Começou pela dança moderna, com Ruth Saint Dennis e Ted Shawn, e durante a era da depressão norte-americana, trocou a dança moderna pela dança comercial, passando a fazer shows em nightclubs, posteriormente passando a trabalhar nos musicais da Broadway.
O jazz dance já era conhecido naquela época, mas faltava técnica, e Cole foi o primeiro bailarino desta modalidade a fundir as técnicas da dança moderna aos movimentos “populares” do Jazz. A técnica Cole trabalha com pliés profundos, explosão dos movimentos, isolação muscular, sincopação, deslizes em trabalho de solo, ou seja, características ainda hoje mantidas no jazz e comuns em todas as aulas e à todas as diversas técnicas que foram posteriormente criadas.
Cole também foi pioneiro em fundir à esta modalidade movimentos das danças orientais, principalmente indiana, seguindo a linha de seus professores em dança moderna da Dennishawn School. Jack coreografou diversos musicais na Broadway e também chegou à Hollywood, trabalhando como coreógrafo para cinema, em películas como Eles Preferem as Loiras, com Marilyn Monroe. Trabalhou também com outras estrelas da época como Humphrey Bogart, Rita Hayworth, Gwen Verdon, Matt Mattox e Mitzi Gaunor.

Bob Fosse (1927-1975)

Tecnicamente Bob Fosse não era considerado um bailarino perfeito, não tinha excelente postura, flexibilidade nem tampouco destreza para giros. Nenhuma destas deficiências, no entanto, impediu que ele se tornasse um dos grandes profissionais do Jazz Dance na América. Iniciou seus estudos sozinho, e ainda na adolescência começou a trabalhar em nightclubs, deixando que esta experiência profissional se tornasse sua única forma de “treino” na dança.
O estilo pessoal de Fosse transformou-se em sua marca registrada: usou sua postura não-convencional como uma posição para sua dança, abandonou os giros para fora, já que tinha maior facilidade com os giros para dentro.
Criou sua própria técnica e buscava material para suas coreografias em si mesmo, nas suas possibilidades e no seu convívio em clubes noturnos. Bob Fosse quebrou no Jazz Dance os tabus de que para dançar era preciso determinado físico-padrão, exímia técnica, e mostrou que toda pessoa era capaz de dançar, usando suas possibilidades físicas e sua experiência de vida para desenvolver sua própria dança.
O impacto das inovações de Fosse o levou a coreografar diversos musicais e filmes, como All Tha Jazz, Sweet Charity e Cabaré, que ganhou o prêmio Tony de melhor musical, um Emmy e um Oscar, em 1973.

Gus Giordano (1922-)

Começou a dançar ainda criança, aos cinco anos de idade. Em 1963, criou sua própria cia. de dança, com os parceiros Ronald Colton, Gary Kaplan, Mort Kessler, Rita Rojas e Judith Scott. O foco de sua dança é a preservação da cultura indígena americana por meio da arte do Jazz Dance, fazendo desta fusão uma maneira de conscientizar o público de que esta dança é uma expressão artística da verdadeira vida americana. Este estilo desenvolvido por Giordano chegou a audiências de todo o mundo, mostrando uma dança acessível, que expressa sentimentos, confronta problemas e analisa idéias da atualidade. Apesar de não mais dançar profisionalmente (leciona apenas ocasionalmente), e estar atualmente com 80 anos de idade, Giordano ainda supervisiona de perto as atividades da Gus Giordano Jazz Dance Company, liderada hoje por sua filha Nan Giordano.

Luigi (1926-)

Luigi iniciava sua carreira quando sofreu um sério acidente de carro, que deixou um lado de seu corpo paralisado e seus olhos com visão dupla. Apesar da negativa quanto à sua recuperação por parte dos médicos, ele manteve-se determinado e voltou à dança. Sua rotina de trabalho para sua recuperação acabou por se transformar na primeira técnica completa para o ensino do Jazz Dance. Em 1951, começou à ensinar em Las Vegas, e em 56 abriu sua primeira escola e passou a coreografar para peças da Broadway. Luigi, que dentro de sua técnica desenvolve um trabalho de consciência corporal com seus alunos, ressaltando a importância da realização correta e da boa postura, já lecionou e levou sua técnica para toda a América e Europa. Luigi foi professor de Liza Minnelli, Barbara Streisand, Bette Midler, Ann Reinking, Madonna, Patricia McBride, Christopher Walken, Jacques D'Amboise, Alvin Ailey, Michael Bennett, Twyla Tharp, Susan Stroman entre outros famosos do mundo do cinema e da dança.



Fonte: Studio Corpo e Dança


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